Estou de volta ao mundo real após quatro dias acampando no Parque Glanusk, em um vale lindo chamado Brecon Beacons, no sul do País de Gales. O cenário seria ainda mais bonito se o tempo estivesse melhor, mas o fim de semana foi de muita chuva e lama (a foto acima foi tirada no primeiro dia antes da chuva). No começo, até que é divertido ter que colocar as galochas e a capa de chuva, uma tradição dos festivais britânicos pela qual eu ainda nāo tinha passado já que tive a sorte de tempo bom nos festivais anteriores. Mas a graça acaba quando você percebe que a chuva está piorando, a lama aumentando, a previsão do tempo diz que não vai melhorar pelos próximos dias e fica muito difícil evitar roupas molhadas. O tempo acaba ditando o que você faz e onde vai, ou seja, qualquer tenda que não esteja ainda completamente lotada de gente se protegendo da chuva.
Um pequeno balanço do festival:
✿ O Green Man é um festival família. Para cada dez adultos, cinco crianças. E criança acorda cedo. Isso quer dizer que acordamos todas as manhãs, por volta das 7, como se estivéssemos no pátio de uma escola na hora do recreio. Os dias foram muito longos…
✿ Folk definitivamente não é a minha praia. Depois do terceiro show de banquinho e violāo acústico, eu estava querendo passar o dia na Rumpus Tent, onde DJs como Andy Votel, David Holmes, Cherrystones e Pete Fowler tocavam. O domingo foi o melhor dia, com a programação dividida por músicas de um país ou região do planeta. Apesar de David Holmes ter sido a estrela da noite, o melhor set foi o de Gruff Rhys e Huw Evans, com apenas rock galês dos anos 60.
✿ A chuva deu uma pequena trégua no sábado à noite para o show do Super Furry Animals (SFA). Foi um show curto, apenas uma hora, mas bem divertido. Bom, eu sou fã, então suspeita para falar deles.
✿ Gostei muito do show da Cate Le Bon. Folk mas com um toque moderno.
✿ A tenda Folkey Dokey lotou para o show do The Peth, projeto paralelo de Dafydd “Daf” Ieuan (SFA) com o cantor/ator Rhys Ifans, que é mais conhecido por papéis no cinema como o flatmate de Hugh Grant na comédia romântica “Notting Hill”, mas ele foi o primeiro vocalista do SFA, antes de Gruff Rhys. A banda, com nove integrantes no palco, não me impressionou muito, mas Ifans é um vocalista interessante, performático, um verdadeiro rocker. Mas saí do show pensando que o SFA poderia ser hoje uma banda completamente diferente (e não tão boa) com ele e sem Gruff Rhys.
✿ O troféu melhor show do festival vai para Caribou, que fechou a noite de domingo no Folkey Dokey. Eu já conhecia a música eletrônica do Caribou (que não é uma banda, mas o apelido do canadense Daniel Snaith) pelos ótimos álbuns The Milk of Human Kindness e Andorra. A surpresa é que no palco Caribou toca acompanhado pelos músicos Ryan Smith, Brad Weber e Andy Lloyd numa formação pouco usual de guitarra, baixo e duas baterias. Valeu encarar chuva, frio e lama só por esse show, mas uma pena que a organização do festival, super rígida com os horários de encerramento dos palcos, repetiu o que fez com o SFA na véspera e também não deixou o Caribou voltar para um bis, mesmo com os pedidos do público.
Foi divertido, mas vou ter que passar o resto do dia limpando a lama que trouxe comigo do festival. Só para dar uma idéia, na foto abaixo eu (à direita) e Cláudia completamente atoladas.


3 respostas Até agora ↓
Madalena // Agosto 19, 2008 às 7:11 pm
Atoladas, sim, mas com uma cervejinha na mão fica tudo beleza!
bjs
fli // Agosto 22, 2008 às 7:54 pm
quero atolar tb!
bjs!
O Escriba » Os top 5 do clube 27 // Agosto 25, 2008 às 3:07 am
[...] de Camden Town, em Londres. Vou aguardar as impressões da Gabi pra formar uma opinião (ela tava acampada no País de Gales curtindo um som), mas a princípio parece imperdível. Afinal, Jimi, Janis, Jones, Morrison e [...]