A 17a edição do Mercury Prize acontece na terça-feira, com transmissão ao vivo da BBC (eu bem que tentei ganhar um ingresso para ir à cerimônia, mas não rolou). Por aqui, o clima de já ganhou é para o produtor de dubstep (um estilo de música eletrônica criado em Londres) Burial, aka William Bevan. Ele era uma espécie de Banksy da cena musical por aqui e só revelou a verdadeira identidade depois que o seu álbum “Untrue” foi um dos 12 nomeados ao prêmio. Andam dizendo por aí que a revelação foi uma exigência dos organizadores do Mercury Prize, que não aceitaram que ele se apresentasse, e possivelmente recebesse o prêmio, sem revelar primeiro o nome verdadeiro.
Se ele vai ganhar mesmo é outra história. Ano passado, todos diziam que Amy Winehouse seria a vencedora e deu Klaxons. Mas, independente do resultado na terça, Burial com certeza já saiu ganhando com a nomeação e publicidade. De acordo com uma matéria do Guardian, as vendas de “Untrue” cresceram 361% desde a nomeação e consequente revelação de identidade do Burial.
Os outro concorrentes são:
Adele, com “19″;
British Sea Power, com “Do You Like Rock Music?”;
Elbow, com o álbum “The Seldom Seen Kid”;
Estelle, com “Shine”;
Laura Marling, com “Alas, I cannot swim”;
Neon Neon, com “Stainless Style”;
Portico Quartet, com “Knee Deep in the North Sea”;
Rachel Unthank & The Winterset, com “The Bairns”;
Radiohead, com “In Rainbows”;
Robert Plant & Alison Krauss, com “Raising Sand”;
The Last Shadow Puppets, com “The Age of Understatement”.
A minha torcida vai, claro, para Neon Neon, de quem já falei algumas vezes aqui, mas meu palpite é que se não der mesmo Burial, vai dar Radiohead ou Elbow este ano. Radiohead porque a banda foi nomeada três vez ao Mercury (1997, 2001, 2003) e nunca ganhou. Outra razão é que o júri é composto por 12 jornalistas e críticos de música e, em tempos de discussão sobre downloads legais e ilegais, acho que o Radiohead vai ter a seu favor o fato de ter lançado o “In Rainbows” online para fãs decidirem quanto pagariam – até mesmo nada – pelo álbum antes de colocar o álbum nas lojas. Mas também vale lembrar que o Mercury, apesar da fama de ser uma alternativa independente ao Brit Awards, ainda é um prêmio organizado por uma associação que representa os interesses da indústria, a British Association of Record Dealers. Hum, pensando bem…
Já a banda Elbow está concorrendo ao prêmio com um álbum que representa a volta por cima do grupo depois de dois anos sem gravadora, quando no mesmo período os rapazes de Manchester tiveram que lidar com a morte de um amigo e colaborador da banda, o compositor Bryan Glancy (o nome do álbum é uma homenagem a ele). Tipo de história que ajuda a ganhar prêmio. “The Seldom Seen Kid” foi bastante elogiado, com alguns críticos dizendo inclusive que esse é o melhor álbum do Elbow.
Vamos ver o que acontece na terça-feira. (Que o Neon Neon merece ganhar, merece
)
Elbow, com One Day Like This:
Radiohead, com House of Cards:

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